Olá pessoal! Eu sou Antônio Walter Barbero, conhecido como
Teco Barbero, jornalista. Hoje trago um texto um pouco diferente das
características do nosso blog. Normalmente trago aqui coberturas de eventos,
reportagens, algumas entrevistas e vídeos, porém sinto a necessidade de contato
um pouco mais sobre o que estou vivendo nesse momento, em 2026.
No texto anterior, escrevi para vocês como foi a retirada
do tampão que cobria a minha operação da catarata. Agora, quero explicar para
vocês um pouco mais sobre o que é o nistagmo e como ele influencia essa minha
nova fase. Esse problema, que quase nunca é comentado, é uma condição congênita
que eu possuo nos dois olhos e que dificulta ou praticamente impede o controle
voluntário dos movimentos oculares.
Para que todos possam entender melhor, antes de contar como
tem sido a minha rotina e a minha recuperação, vale a pena explicar o que é o
nistagmo de uma maneira técnica e simples.
Entendendo o Nistagmo: O que diz a medicina?
Nistagmo é uma condição caracterizada por movimentos
involuntários, oscilatórios e repetitivos dos olhos. Esses movimentos podem
acontecer de um lado para o outro (horizontal), para cima e para baixo
(vertical) ou em círculos (rotatório).
No caso do nistagmo congênito — que é o meu caso —, a
condição se manifesta logo nos primeiros meses de vida. Como os olhos não
conseguem fixar o olhar de forma perfeitamente estável, a nitidez visual é
reduzida, o que resulta na baixa visão. Em termos práticos: é como se a
"câmera" dos olhos estivesse em constante movimento, exigindo do
cérebro um esforço muito maior para focar as imagens.
De acordo com manuais e diretrizes do Conselho Brasileiro
de Oftalmologia (CBO), o diagnóstico precoce e o acompanhamento do nistagmo são
fundamentais para entender o potencial de visão do paciente ao longo da vida.
Além disso, estudos publicados pela Academia Americana de Oftalmologia (AAO)
reforçam que o nistagmo congênito costuma estar associado a outras condições
sensoriais ou estruturais do olho, o que justifica a complexidade extra e a
necessidade de cuidados personalizados quando surgem outros problemas, como a
catarata.
Os desafios diários e a realidade das telas
Os desafios de se conviver com nistagmo, baixa visão e
catarata são diários e complexos, pois a cada momento enfrentamos uma situação
diferente. Quando a catarata estava mais avançada, alguns lugares pareciam
muito mais escuros — uma realidade que, felizmente, já não acontece hoje por
conta da operação no meu olho direito. No olho esquerdo, a catarata ainda está
relativamente pequena e afeta pouco, mas esse "pouco" já causa alguns
transtornos e certa dificuldade na definição das imagens em todas as situações
do dia.
Para uma pessoa como eu, que assiste a muita televisão e
lida constantemente com telas de tablets e celulares, a rotina impõe barreiras
severas. Existe um detalhe importante: como também tenho uma lesão cerebral, o
que dificulta para fazer os movimentos pedidos pelo leitor de tela — recursos
que facilitam muito a vida, principalmente de pessoas cegas, que navegam pelos
dispositivos sem precisar enxergar a tela. No meu caso, essa alternativa não é
possível, o que me obriga a depender exclusivamente do que meus olhos conseguem
decifrar.
Diante disso, o maior desafio ao final dessas duas
intervenções cirúrgicas será manter a qualidade da minha visão atual ou, quem
sabe, melhorá-la. O objetivo principal é nunca piorar, pois essa seria a
situação mais difícil, aquela que me obrigaria a ter que me reinventar por
completo. Afinal, passar pela operação de catarata é algo relativamente natural
para a maioria das pessoas, mas, no meu contexto, cada detalhe ganha uma
proporção muito maior e desafiadora.
O imprevisto na cirurgia: Sem a lente intraocular
Com tudo isso em mente, quando passei pela cirurgia do olho
direito e retirei o tampão, o cenário que encontrei foi bem diferente do que
costuma acontecer na maioria dos casos de catarata.
Normalmente, o procedimento remove a catarata e coloca uma
lente artificial no lugar. Porém, no meu caso, isso não foi possível. Na hora
em que o olho foi aberto durante a operação, os médicos constataram que a
infraestrutura interna do meu olho não conseguiria sustentar a lente sugerida.
Por conta dessa limitação anatômica, a cirurgia foi concluída sem a implantação
da lente.
O grande desafio atual tem sido a readaptação. Meus olhos e
meu cérebro — lidando com o nistagmo de sempre — agora precisam processar a luz
e o espaço sem esse recurso, reaprendendo a enxergar dentro desta nova
realidade.
Apesar de sabermos que qualquer cirurgia é um desafio e
causa muita apreensão para quem vai passar por ela, o resultado foi muito
compensador. Para um olho que vinha bastante debilitado pela catarata e por
onde quase não passava a luz, sair para um olho limpo e que hoje cumpre a
função de apoiar a imagem do olho esquerdo foi realmente muito compensador.
Valeu muito a pena.
O próximo grande desafio: O olho esquerdo e a busca por
especialistas
Se o processo no olho direito já trouxe surpresas, o
verdadeiro teste de paciência, fé e ciência médica estará no futuro, quando
chegar o momento de operar o olho esquerdo.
O olho esquerdo tem uma infraestrutura diferente, maior, e
carrega uma responsabilidade imensa: ele é o meu olho dominante. O pouco de
visão que eu possuo depende quase que totalmente dele. Justamente por isso, o
cuidado precisa ser redobrado.
O meu médico, Dr. Pedro Mendonça Ruiz, explicou que o
grande risco nessa próxima etapa envolve a retina. Como o olho esquerdo é o
dominante e possui essa anatomia distinta, qualquer movimento cirúrgico
impreciso corre o risco de afetar a retina e comprometer a visão que me resta.
Por conta disso, o Dr. Pedro vai procurar o apoio de
especialistas em retina para planejarmos os próximos passos. Temos um dilema
crucial pela frente, que ainda gera dúvidas e precisa ser respondido com muita
segurança: valerá a pena tentar colocar uma lente no olho esquerdo ou o melhor
caminho será não mexer nisso e deixar como está?
É uma jornada de incertezas, mas também de muita
descoberta, que faço questão de continuar compartilhando com cada um de vocês
aqui no blog.
