1 de jun. de 2026

O que é o nistagmo e a sua influência para quem tem catarata



​Olá pessoal! Eu sou Antônio Walter Barbero, conhecido como Teco Barbero, jornalista. Hoje trago um texto um pouco diferente das características do nosso blog. Normalmente trago aqui coberturas de eventos, reportagens, algumas entrevistas e vídeos, porém sinto a necessidade de contato um pouco mais sobre o que estou vivendo nesse momento, em 2026.

​No texto anterior, escrevi para vocês como foi a retirada do tampão que cobria a minha operação da catarata. Agora, quero explicar para vocês um pouco mais sobre o que é o nistagmo e como ele influencia essa minha nova fase. Esse problema, que quase nunca é comentado, é uma condição congênita que eu possuo nos dois olhos e que dificulta ou praticamente impede o controle voluntário dos movimentos oculares.

​Para que todos possam entender melhor, antes de contar como tem sido a minha rotina e a minha recuperação, vale a pena explicar o que é o nistagmo de uma maneira técnica e simples.

 

​Entendendo o Nistagmo: O que diz a medicina?

 

​Nistagmo é uma condição caracterizada por movimentos involuntários, oscilatórios e repetitivos dos olhos. Esses movimentos podem acontecer de um lado para o outro (horizontal), para cima e para baixo (vertical) ou em círculos (rotatório).

​No caso do nistagmo congênito — que é o meu caso —, a condição se manifesta logo nos primeiros meses de vida. Como os olhos não conseguem fixar o olhar de forma perfeitamente estável, a nitidez visual é reduzida, o que resulta na baixa visão. Em termos práticos: é como se a "câmera" dos olhos estivesse em constante movimento, exigindo do cérebro um esforço muito maior para focar as imagens.

​De acordo com manuais e diretrizes do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o diagnóstico precoce e o acompanhamento do nistagmo são fundamentais para entender o potencial de visão do paciente ao longo da vida. Além disso, estudos publicados pela Academia Americana de Oftalmologia (AAO) reforçam que o nistagmo congênito costuma estar associado a outras condições sensoriais ou estruturais do olho, o que justifica a complexidade extra e a necessidade de cuidados personalizados quando surgem outros problemas, como a catarata.

 

​Os desafios diários e a realidade das telas

 

​Os desafios de se conviver com nistagmo, baixa visão e catarata são diários e complexos, pois a cada momento enfrentamos uma situação diferente. Quando a catarata estava mais avançada, alguns lugares pareciam muito mais escuros — uma realidade que, felizmente, já não acontece hoje por conta da operação no meu olho direito. No olho esquerdo, a catarata ainda está relativamente pequena e afeta pouco, mas esse "pouco" já causa alguns transtornos e certa dificuldade na definição das imagens em todas as situações do dia.

​Para uma pessoa como eu, que assiste a muita televisão e lida constantemente com telas de tablets e celulares, a rotina impõe barreiras severas. Existe um detalhe importante: como também tenho uma lesão cerebral, o que dificulta para fazer os movimentos pedidos pelo leitor de tela — recursos que facilitam muito a vida, principalmente de pessoas cegas, que navegam pelos dispositivos sem precisar enxergar a tela. No meu caso, essa alternativa não é possível, o que me obriga a depender exclusivamente do que meus olhos conseguem decifrar.

​Diante disso, o maior desafio ao final dessas duas intervenções cirúrgicas será manter a qualidade da minha visão atual ou, quem sabe, melhorá-la. O objetivo principal é nunca piorar, pois essa seria a situação mais difícil, aquela que me obrigaria a ter que me reinventar por completo. Afinal, passar pela operação de catarata é algo relativamente natural para a maioria das pessoas, mas, no meu contexto, cada detalhe ganha uma proporção muito maior e desafiadora.

 

​O imprevisto na cirurgia: Sem a lente intraocular

 

​Com tudo isso em mente, quando passei pela cirurgia do olho direito e retirei o tampão, o cenário que encontrei foi bem diferente do que costuma acontecer na maioria dos casos de catarata.

​Normalmente, o procedimento remove a catarata e coloca uma lente artificial no lugar. Porém, no meu caso, isso não foi possível. Na hora em que o olho foi aberto durante a operação, os médicos constataram que a infraestrutura interna do meu olho não conseguiria sustentar a lente sugerida. Por conta dessa limitação anatômica, a cirurgia foi concluída sem a implantação da lente.

​O grande desafio atual tem sido a readaptação. Meus olhos e meu cérebro — lidando com o nistagmo de sempre — agora precisam processar a luz e o espaço sem esse recurso, reaprendendo a enxergar dentro desta nova realidade.

​Apesar de sabermos que qualquer cirurgia é um desafio e causa muita apreensão para quem vai passar por ela, o resultado foi muito compensador. Para um olho que vinha bastante debilitado pela catarata e por onde quase não passava a luz, sair para um olho limpo e que hoje cumpre a função de apoiar a imagem do olho esquerdo foi realmente muito compensador. Valeu muito a pena.

 

​O próximo grande desafio: O olho esquerdo e a busca por especialistas

 

​Se o processo no olho direito já trouxe surpresas, o verdadeiro teste de paciência, fé e ciência médica estará no futuro, quando chegar o momento de operar o olho esquerdo.

​O olho esquerdo tem uma infraestrutura diferente, maior, e carrega uma responsabilidade imensa: ele é o meu olho dominante. O pouco de visão que eu possuo depende quase que totalmente dele. Justamente por isso, o cuidado precisa ser redobrado.

​O meu médico, Dr. Pedro Mendonça Ruiz, explicou que o grande risco nessa próxima etapa envolve a retina. Como o olho esquerdo é o dominante e possui essa anatomia distinta, qualquer movimento cirúrgico impreciso corre o risco de afetar a retina e comprometer a visão que me resta.

​Por conta disso, o Dr. Pedro vai procurar o apoio de especialistas em retina para planejarmos os próximos passos. Temos um dilema crucial pela frente, que ainda gera dúvidas e precisa ser respondido com muita segurança: valerá a pena tentar colocar uma lente no olho esquerdo ou o melhor caminho será não mexer nisso e deixar como está?

​É uma jornada de incertezas, mas também de muita descoberta, que faço questão de continuar compartilhando com cada um de vocês aqui no blog.